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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Viver na Terra, Trabalhar no Mar: um estudo sobre a prática de pesca com a rede de arrasto na comunidade de Quelelene, Angoche


Autor: Muhamade, Issufo



Dr. José Teixeira, (Supervisor)

Dr. Euclides Gonçalves, (Co- Supervisor)


Resumo

No presente estudo exploro a pesca artesanal na comunidade da Ilha de Quelelene. No estudo examino a interação entre pescadores que usam a rede de arrasto e as entidades de gestão de recursos marinhos. Para a recolha de dados efectuei trabalho de campo na comunidade da Ilha de Quelelene no distrito de Angoche, onde entrevistei os pescadores e autoridades de gestão pesqueira, realizei grupos focais com os pescadores, observei a prática de pesca e participei numa ronda pesqueira. Os dados que recolhi com base nas entrevistas e observações dos pescadores da comunidade da Ilha de Quelelene, mostram que existe uma interação entre os pescadores e as autoridades de gestão pesqueira na prática da pesca com a rede de arrasto. Os resultados do estudo permitiram-me concluir que os pescadores articulam práticas tradicionias de pesca e as medidas sugeridas pelas autoridades pesqueiras. No entanto, essa articulação é um mecanismo de convivência com essas práticas procurando, por um lado, manter as suas práticas tradicionais com uma dimensão cultural e carga simbólica muito forte, e por outro lado, cumprir com as políticas vigentes.

Palavras-chave: Comunidades Pesqueiras, Pesca Artesanal.

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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Principais Grupos Étnicos de Moçambique


Moçambique possui uma rica e longa tradição cultural de coexistência de diferentes raças, grupos étnicos e religiões, ora isto reflecte a diversidade de valores culturais que em conjunto criam as identidades do Moçambique moderno. Apesar de possuir uma diversidade cultural e religiosa diferente de outros lugares raramente serve de razão para gerar conflitos entre os povos de Moçambique.
Com o objectivo de criar uma identidade nacional, o Português foi adoptado como língua oficial depois da independência. No entanto, existem em Moçambique cerca de 20 grupos linguísticos e eles são contrários ao Português largamente falado, especialmente nas zonas urbanas e hoje, cerca de 25% da população fala Português.

A constituição da República de Moçambique estabeleceu o princípio segundo o qual o estado promove o desenvolvimento da cultura e personalidade nacional e garantiu a livre expressão das tradições e valores da sociedade moçambicana.
Efectivamente, a cultura deve ser entendida como um componente determinante da personalidade dos moçambicanos e considera-se a sua valorização como um elemento fundamental para a consolidação da unidade Nacional, da identidade individual e do grupo.
Os povos que habitam actualmente Moçambique são incluídos no grande grupo dos Bantu, que povoa quase toda a África a Sul do Sahara. Dentro deste grupo há muitas sub-divisões, ou etnias. Vejamos algumas noções elementares das principais etnias de Moçambique, divididas, segundo muitos autores, em mais de oitenta sub-grupos.

1. Conceito de etnia

Historicamente, a palavra etnia significa “gentio”, proveniente do adjectivo grego ethnikos. O adjectivo se deriva do substantivo ethnos, que significa gente ou nação estrangeira. É um conceito polivalente, que constrói a identidade de um indivíduo resumida em: parentesco, religião, língua, território compartilhado e nacionalidade, além da aparência física
Um grupo étnico é um grupo de indivíduos que têm uma certa uniformidade cultural, que partilham as mesmas tradições, conhecimentos, técnicas, habilidades, língua e comportamento.
A sociologia Africana, considera que uma etnia  ou um grupo étnico é grupo de pessoas que têm uma herança sociocultural comum, como uma língua e tradições comuns.

Encontramos uma diferença enorme entre Etnia, Tribo, Clã e Linhagem. A sua diferença com a Tribo, surge no facto de que a Tribo referir-se a um conjunto humano que reúne várias famílias sob a autoridade de um mesmo chefe e num espaço territorial dado. A Etnia difere do Clã, visto que este último refere-se a um grupo de pessoas que têm um ancestral comum. Finalmente difere de linhagem, uma vez que esta é uma descendência.

Noutras palavras, os povos ou as populações de ascendência comum constituem etnias; as etnias subdividem-se em tribos, as tribos em clãs e os estes em linhagens. Em todos os países, cada pessoa tem origens étnica, tribal, clânica e de linhagem
Antes da Conferencia de Berlim (Alemanha) de 1885, África era subdivida em Nações verdadeiras cada uma das quais habitadas por pessoas de ascendência comum. Os países africanos resultantes da Conferência de Berlim são compostos de várias etnias, quer dizer de várias nações, culturas e tradições.

2 Principiais grupos étnicos de Moçambique

Em Moçambique, existem diversos agrupamentos humanos com características socioculturais específicas. Ainda não há unanimidade no que se refere a uma designação genérica desses grupos. Por razões óbvias, durante o período colonial esses grupos eram designados por tribos, etnias ou grupos étnicos. O termo povo, embora fosse utilizado por alguns antropólogos e historiadores, não teve um uso sistemático referido a essas entidades.
De acordo com essa informação (MINED, 1986:36), os povos de Moçambique agrupar-se-iam de acordo com uma característica cultural que se apresenta mais ou menos comum em algumas regiões do País: os regimes de parentesco. O rio Zambeze constitui-se numa fronteira natural desses regimes em Moçambique.

A norte daquele rio localizam-se os povos matrilineares: Makonde, Yao, Makhuwa, Nyanja e outros localizados no Zambeze superior, como os Nsenga e os Pimbwe, por exemplo. A sul, encontram-se os povos patrilineares congregados nos seguintes grupos: Shona, Tsonga, Chope e Bitonga. Entre os povos patrilineares figura também o grupo Nguni, cujos núcleos se encontram espalhados pelo País.
No Vale do Zambeze, uma zona de transição, situam-se povos de simbiose das influências matrilinear e patrilinear, dos quais se destacam: Chuwabo, Sena e Nyungwe. Para além dos grupos identificados, existem outros localizados na costa norte, cuja característica particular é a influência patriarcal islâmica que apresentam: são os Mwani.

2.1  Os makondes

Os Makonde localizam-se no extremo norte, junto ao rio Rovuma. Encontram-se igualmente no sul da Tanzânia, em número maior que em Moçambique. Apresentam como traços culturais particulares a escultura em madeira, o uso de máscaras nas cerimónias relacionadas com os ritos de iniciação e a execução da dança tradicional conhecida por “mapico”. Foi em Mueda, centro dos Makonde, que em 16 de Junho de 1960 as autoridades portuguesas reprimiram uma manifestação política da população local assassinando várias centenas de pessoas, fenómeno que passou a ser conhecido na história por Massacre de Mueda. Foi na região dos Makonde, no posto administrativo de Chai, que em 25 de Setembro de 1964 é desencadeada a Luta Armada de Libertação Nacional, 47 anos depois que essa mesma região se constituiu no último foco da submissão à ocupação militar portuguesa.

2.2 Os Yaos

Os Yao, também conhecidos por Ajaua, ocupam a região junto ao lago Niassa e o norte da província com o mesmo nome. Os Yao também se encontram no Malawi e no sul da Tanzânia. Fontes históricas revelam que os Yao eram bastante activos o comércio à longa distância, ligando as regiões do interior com a costa do Índico: Quílua, na Tanzânia, e Ilha de Moçambique. Antes dos finais do século XVIII eram os principais fornecedores de marfim. Segundo Rita-Ferreira (1982:124) os Ajaua transitaram para as formas de comércio internacional com Quílua e Ilha de Moçambique de uma forma gradual, a partir de trocas regionais restritas e regionais de peles, produtos agrícolas e utensílios de ferro até atingir o nível de uma florescente e bem organizada exportação de marfim, nos finais do século XVIII. Rita-Ferreira diz ainda que no primeiro quartel do século XIX os Ajaua tinham-se transformado nos maiores fornecedores de escravos exportados para Mossuril (ibid.:285). Dado o seu contacto regular com a costa de influência muçulmana, os Ajaua islamizaram-se mais cedo que os outros povos do interior. Entretanto, uma islamização significativa viria a acontecer depois de 1890, em  resposta à pressões trazidas pela ocupação colonial (Cf. Ibid.:289).

2.3 Makuwa

Os Makhuwa, por vezes considerados como duas entidades diferentes, constituem a etnia de Moçambique dispersa por um vasto território que no passado se estendia, do rio Zambeze ao rio Messalo, a Sul e Norte, respectivamente, do Oceano Índico, a Este, até à actual fronteira com o Malawi, a Oeste;
Na actualidade, com o centro em Nampula, os Makhuwa-Lomwe espalham-se para partes das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia. Importantes agrupamentos Makhuwa encontram-se também no Madagáscar, no sul da Tanzânia e no Malawi, também a sul. Os Makhuwa reclamam, segundo a tradição, uma origem mítica comum, como comuns são também a sua organização sócio-familiar e a língua que falam. Alguns estudos advogam ser este o grupo bantu mais antigo desta parte da África Austral.
Entre os makuwas, as linhagens familiares estão extensivamente representadas em todo o território [étnico], levando-nos à conclusão do íntimo parentesco existente entre as gentes que constituem aquilo a que tem sido uso apodar de “tribos” Macuas. Igualmente, se encontram as mesmas linhagens familiares (mahimo) em todas as “tribos” Macuas e Lomues, cada qual reportando-se ao mesmo fundador antepassado. O que nos permite reconhecer que todas as chamadas “tribos” Macuas e Lomues são afinal um mesmo povo, embora por vezes assumindo variações regionais (1970:106).

2.4 Maraves

A norte do rio Zambeze, na província de Tete e na parte ocidental da província do Niassa, encontram-se os Marave. Os de Moçambique tomam a designação de Nyanja, enquanto os de Malawi são chamados Chewa.  Para além do Malawi, importantes sectores do povo Nyanja se localizam na Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. Os Marave são associados ao império do mesmo nome que se desenvolveu nas regiões onde hoje é Zambézia e Nampula, por volta dos séculos XVI e XVIII e que, tal como os Ajaua, se envolveu no comércio de marfim e de escravos. Possuem uma organização matrilinear e tradições culturais particulares.
Junto ao rio Zambeze concentram-se inúmeras etnias com características específicas e exteriores aos grupos étnicos referidos, como são os casos dos Chuwabo, Sena e Nhnungwe, designados habitualmente como “Povos do Baixo Zambeze”.

2.5 Shonas

Os Shona ocupam os territórios entre os rios Save e Zambeze, subdividindo-se em três grupos distintos: Ndau, Manyka e Tewe. De uma forma geral, surgem espalhados pelas províncias de Manica, Tete e Sofala e, ainda, por algumas províncias do Zimbabwe. Esta etnia está associada às ruínas do grande Zimbabwe, entre outros amuralhados de pedra da região.
Shonas ou Xonas são um grupo de povos de línguas bantu que habitam o Zimbábue, a norte do rio Lundi, e no sul de Moçambique. Foram notáveis por suas peças de ferro, cerâmica e música, dentre os quais podem ser destacados os zezuru, karanga, manyika, tonga-korekore e ndau. Com numeração cerca de nove milhões de pessoas, que falam uma série de dialetos relacionados cuja forma normalizada é também conhecida como Shona (Bantu). Um pequeno grupo de imigrantes falando Shona dos anos 1800 também vivem na Zâmbia, no vale do rio Zambeze, na área de Chieftainess Chiawa. O Shona era tradicionalmente agrícola cultivando feijão, amendoim, milho, abóboras, e batata doce.

Os ndaus são um grupo étnico que habita o vale do rio Zambezi, do centro de Moçambique até o seu litoral, e o leste do Zimbábue, ao sul de Mutare. Os ancestrais dos ndaus eram guerreiros da Suazilândia que se misturaram com a população local, constituída etnicamente por manikas, barwes, tewes, nas províncias moçambicanas de Manica e Sofala. A população local do Zimbábue, antes da chegada dos Gaza Nguni, descenderia primordialmente de Mbire, próxima à actual Hwedza. Os ndaus falam um idioma que pertence à família linguística xona, o ndau.

2.6 Bitonga e Chope

Os Bitonga e os Chope concentram-se no sul do país, junto à costa, e nos arredores da cidade de Inhambane, os primeiros, e numa faixa que vai para mais a sul, os segundos que também povoam parte de Gaza, mantiveram ao longo dos séculos uma proximidade cultural com os Tsonga.
Os chopes são dos distritos de Zavala e Inharrime, na província de Inhambane. Este povo viveu tradicionalmente da agricultura de subsistência. Historicamente, alguns chopes foram escravizados e outros tornaram-se trabalhadores migrantes na África do Sul. Os chopes são conhecidos internacionalmente pelo instrumento musical mbila e dança associada, uma manifestação cultural conhecida desde o tempo de Gungunhana, que foi considerada pela Unesco, como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade. Os chopes identificam-se culturalmente, como povo, com o elefante.

2.7 Os Tsongas

Os Tsongas subdividem-se em três grupos particulares: os Ronga (do extremo Sul até ao rio Limpopo), os Changane (junto ao rio Limpopo) e os Tswa (a norte do rio Limpopo e até ao rio Save). Possuem uma organização patrilinear. Os Tsonga constituem o grupo que, durante os três últimos quartéis do século XIX estiveram sob influência directa do império nguni de Gaza.
Landins ou Vátuas, era o nome genérico dado aos indígenas de Moçambique, a sul do rio Save. Tinham tradições guerreiras sendo o seu último grande imperador, Gungunhana o Leão de Gaza, sido destronado pelos portugueses depois de grandes combates entre 1894 e 1895.
O grupo Tsonga tem continuidades nos territórios da África do Sul e da Suazilândia.

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

FERREIRA, Antonio Rita.  Agrupamento e Caracterização Étnica dos Indígenas de Moçambique. Disponível em: http://www.malhanga.com/flipbook/estudos.documentos/

IVALA. Adelino Zacarias. O ensino de História e as relações entre os poderes autóctone e moderno em Moçambique, 1975-2000. Doutorado em Educação/Currículo. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo. 2002

Grupo Étnico do Povo Macua-Lomue da Zambezia (Pebane)



O GRUPO ÉTNICO MACUA-LOMUÉ

O distrito de Pebane

1. Situação geográfica  

O distrito de Pebane localiza-se no Nordeste da província da Zambézia, sendo limitada a Norte pela Província de Nampula através do distrito de Moma, a Sul com o Distrito de Gilé, a Oeste com os Distritos de Ile e Maganja-da-Costa e a Este pelo Oceano Índico.
Com uma superfície1 de 10.086 km2 e uma população recenseada em 2007 de 185.33 habitantes, o distrito tem uma densidade populacional de 18.20 hab/km2.
A relação de dependência económica potencial é de aproximadamente 1:1, isto é, por cada 10 crianças ou anciões existem 10 pessoas em idade activa.

1.2. Clima, Relevo e Solos

O clima do distrito é predominantemente do tipo “Tropical chuvoso de savana (AW)”, com duas estações distintas, a estação chuvosa e a seca. A precipitação média anual está na ordem de 1.286 mm e a evapo-transpiração de referência média anual de 1.514 mm.
A maior queda pluviométrica ocorre no período compreendido entre Dezembro de um ano a Abril do ano seguinte (75 a 80%), variando significativamente na quantidade e na distribuição quer num mesmo ano, quer de ano para ano. As precipitações são fortemente influenciadas pela proximidade do mar.
Geomorfologicamente o Distrito é dominado pela planície sedimentar de cobertura arenosa na faixa costeira e pelos sedimentos consolidados do Soco do Precâmbrico no interior, sendo ambas unidades interceptadas pelas linhas de drenagem natural onde ocorrem os sedimentos mais recentes – estuarino-marinhos na faixa costeira e aluvionares no interior. A faixa costeira compreende ainda solos arenosos amarelados, esbranquiçados modificados pelo hidromorfísmo. Mais para o interior, predominam solos residuais do Soco Precâmbrico derivados de rochas ácidas e básicas.

1.3. Infra-estruturas

O distrito de Pebane é servido por transporte rodoviário e marítimo. Nenhuma das vias rodoviárias do distrito beneficiou de obras de reabilitação, mas apenas de alguns trabalhos de manutenção periódica nas estradas que ligam a sede a Maganja da Costa, via Mocubela, e a Mulela.
A reabilitação de estradas terciárias terá um impacto importante em vários sectores de actividade, intensificando a circulação de bens e pessoas, a comercialização agrícola e o escoamento do pescado.
O distrito tem 3 aeródromos (1 inoperacional). O Porto de Pebane não está operacional.
O distrito tem uma cabina telefónica instalada na Vila sede, o que permite comunicações para qualquer parte do mundo. Da Administração da sede do distrito para os Postos Administrativos, as comunicações são feitas via rádio.
O acesso à água potável é uma necessidade ainda não coberta em todo o distrito, havendo comunidades que se deslocam até 12Km até à fonte mais próxima. Em algumas comunidades, poços e furos, equipados com bombas manuais, garantem água durante todo o ano.
Para abastecimento da população em água potável, o distrito tem 159 fontes (38 inoperacionais). Importa referir que a maioria destas fontes está concentrada na Sede do distrito e PA de Mulela, havendo por isso um desequilíbrio em relação ao PA de Nabúri que apenas possui 3. Este desequilíbrio justifica-se pelo facto de a ponte que liga a sede daquele Posto ter sido destruída durante o conflito armado e só ter sido reabilitada em 2002.
Este distrito sofreu uma guerra de desestabilização, tendo destruído grandes edifícios do governo, contudo o distrito é dirigido por um administrador distrital e seus três chefes dos postos administrativos que compõem o distrito nomeadamente (Mulela, Nabúri e Vila do distrito), segundo a actual divisão administrativa.
O distrito postações distintas, a estação chuvosa e a seca. A precipitação média anual está na ordem de 1.286 mm e a evapo-transpiração de referência média anual de 1.514 mm.
A maior queda pluviométrica ocorre no período compreendido entre Dezembro de um ano a Abril do ano seguinte (75 a 80%), variando significativamente na quantidade e na distribuição quer num mesmo ano, quer de ano para ano. As precipitações são fortemente influenciadas pela proximidade do mar.
Geomorfologicamente o Distrito é dominado pela planície sedimentar de cobertura arenosa na faixa costeirsui vias de acesso aceitáveis, ou seja razoáveis, visto que é terra batida. Beneficia de rede de telefonia móvel (Mcel) e o canal televisivo da TVM.
No território do distrito de Pebane não existem caminhos de Ferro, nem estradas alcatroadas, o distrito sentiu as acções da guerrilha anti-revolucionaria com ataques e incêndios de casas e aldeias inteiras nas proximidades da sede do distrito. O estado de guerra que se viveu em Pebane deixou marcas indeléveis no seio da comunidade; obras destruídas, muitas mortes, epidemias de fome e doenças criando-se um estado de miséria generalizada.
Do ponto de vista religioso, a população do distrito pode dividir-se em três grandes grupos; religião tradicional Africana, o Islão e o Cristianismo. Há também uma minoria de outras religiões, mas a maior parte dos religiosos encontram-se inseridos no Islamismo, esta religião teve maior predominância neste distrito devido a influências dos árabes, durante as suas rotas marítimas.

Características gerais do povo Macua-lomué

2.1. Situação geográfica

O povo macua-lomué vive, actualmente numa grande área do norte de Moçambique, com cerca de 300000 Km2 abrange parte das províncias de Cabo-delgado, Niassa, Nampula e Zambézia. A região conhecida tradicionalmente por Macuana ou wanphula, é delimitada a norte pelo rio Rovuma, a leste pelo oceano Índico, a sul pelo rio Licungo nas proximidades do rio Zambeze e a oeste pelo rio Lugenda.

Este povo surge a partir da divisão de uma árvore chamada macua, devido a existência de varias zonas com o povo Macua, houve sempre a necessidade de se deslocar este povo para vários cantos do país, e cada local onde se instalava o povo Macua era chamado por outro nome, portanto este povo é vasto podemos encontrar nos distritos de Mecanhelas (Niassa), Malema, Ribaué, Murupula, Moma (Nampula); Ile, Gilé, Alto- Molocué, Gurué e Pebane (Zambézia).

2.2. Origem do povo Macua-Lomué

Há várias interpretações sobre a etimologia, significado e escrita da palavra (macua), desde há hipótese de que é palavra injuriosa (equivalente a selvagem, barbaro, não-civilizado), até à afirmação de que significa de Goa (= Makoa). Os lomués são povos oriundos de Macua, segundo a história, diz-se que a sociedade Macua está ligada a mitos; sobre a origem do mundo e do homem. Eles aprontavam o monte Namuli situado no distrito de Gurué (Zambézia), com 2419m de altura.
Segundo a tradição, os primeiros homens depois de serem criados por Deus, nas grupas da serra de Namuli; eles organizavam grandes viagens ate as planícies descendo por vários caminhos e na medida que se multiplicavam iam-se repartindo, dando origem a vários grupos macua compõe o Lomué.

Este grupo é conhecido também por Lomué; que tradicionalmente ELOMUÉ, dentro dos Lomué existem vários subgrupos como: Amalessane, Amole; Amulima, Amaloa, Ahabo, só para citar.
Os lomué caracterizam-se pela forma de articulação das palavras, tradicionalmente usam a vogal (A) para designar o grupo de animais e (E) para designar os objectos; por exemplo: Atitio ou Atata (tio), Atxo (pessoas); Eipha (enxada), Ecadeira (cadeira).

Algumas designações que surgem para designar o povo Macua:
  • Mulomué- Falante de Lomué; 
  • E- Lomué - O lomué; 
  • A-Lomué - Os Lomués


Organização Sócio-político

As formas de ordenação política e as expressões de direito são muitas e correspondem à múltipla variedade das culturas. Na sociedade macua-Lomué os grupos pertencentes a macua-lomué não vivem isoladamente, e nem nascem sozinhos, mas sim, procuram manter um colectivo ou vizinhança, de modo que os mitos continuem a ser aceites, ou seja, evita a mistura segundo o enigma que diz: Para ele ser é fundamental estar em relação com outros, por isso, para conhecer o povo macua-lomué é preciso conhecer adequadamente as suas estruturas políticas e sociais, onde se encontram as relações de humanidade.

3.1. Autoridade

O povo macua-lomué é constituido por uma justaposição (unidades) de união entre famílias formadas por grupos de parenteses unilineares, uxorilocais e exogâmecas. O parentesco mergulha as raízes no ordenamento da natureza humana, mediante o qual o homem se divide em macho e fêmea, mutuamente atraídos na relação sexual necessária para a geração e continuidade da espécie. O parentesco é um vínculo que liga os indivíduos entre si com vista à geração e à descendência.

3.1.1.O NLOKO (Linhagem)

Linhagem é um grupo de pessoas descendentes de um mesmo antepassado cujo vínculo de descendência é genealogicamente demonstrável e não pressuposto miticamente. Uma vez que o povo Macua-Lomué tem uma linhagem materna, considera-se o NLOKO, como o conjunto de unidades uterinas (ERUKULO), em que todos os membros se consideram irmãos legítimos (NLOKO NIMOHA). O mais velho dos NLOKOS, é considerado como NIKOLO e é o dirigente da família que se forma. Entre os Macua-Lomué, grupo de família NLOKO é o homem mais velho aquem manda noutros membros de familias. Este homem, é o tio materno chama (ATATA).

3.1.2. O NIHIMO (Tribo)

De acordo com BERNARDI tribo é um conjunto de pessoas unidas por descendência, ou é um grupo de população distinto, por parte dos seus membros e dos outros com base em critérios culturais regionais. Na sociedade Macua-Lomué todos os membros de unidades uterinas (NLOKO) usam o mesmo apelido familiar, chamado (no plurar, MAHIMO) que deriva do antepassado fundador e transmite-se matriliarmente.
Ter o mesmo NIHIMO significa pertencer ao mesmo NLOKO que implica fundamentalmente três coisas:
  • Um aspecto afectivo entre os membros: as relações de respeito íntimo;
  • Etiqueta própria: leis convencionais e procedimentos assumidos pela comunidade;
  • Aspectos jurídicos: deveres e direitos positivos e negativos, que orientam as mutuas relações.


3.1.3. O MWENE

É o chefe máximo do povoado, este é responsável da comunidade, celebra todos os eventos importantes da região, é o coordenador do conselho constituído pelo grupo dos tios mais velhos de cada família (ATATAS).
A direcção do chefe máximo é acompanhada por dois grupos importantes, os velhos e a irmã, mais velha do chefe máximo.

3.2. Símbolos de autoridades

O chefe máximo do povoado (MWENE), é visto como a estrutura mais poderosa daquela comunidade, por isso tem características que o identificam durante o processo de governação, podemos aqui destacar:
Um chapéu de cor preto, feito de pano ou tecido de caqui;
Alguns instrumentos feitos a partir da pele de animais de grande porte;

3.3. Formas de poder

O poder do chefe máximo do povoado, é represeMapa de Moçambique com o destaque a província da Zambézia, (distrito de Pebane)ntativo e ao mesmo tempo simbólico, porque:
É representativo, no caso em que o rei é empossado pelo antigo rei, ou seja quando for uma sucessão do tio (antigo MWENE), para o sobrinho (novo MWENE).
É simbólico, no caso em que não existe uma sucessão, acontece quando o antigo MWENE por motivos de força maior deixa o poder e nesse caso quando o MWENE não tiver um sobrinho materno, mais velho capaz de dirigir o povoado.

3.4. Formas de casamento (Matrimónio)

3.4.1. O casamento na sociedade macua-lomué

De acordo com BERNARDI, O matrimónio é uma relação sexual entre dois indivíduos de sexo diferente socialmente sancionada com vista à procriação e à inculturação dos filhos; RADCLIFFE-BROWN define matrimónio como uma ordenação social por meio da qual a criação recebe uma posição legítima na sociedade determinada pelo parentesco.

O casamento é um acontecimento que ocupa lugar importante no ciclo da vida. É a terceira fase do ciclo. Pelo casamento o homem e a mulher, formando a célula mais elementar na sociedade, colocam-se ao serviço directo e concreto da transmissão da vida. Desta maneira integram-se na corrente vital participando na função dos antepassados, intermediários entre a fonte original e os homens. O casamento tem o seu funcionamento neles e a sua raiz esta na fonte vital. O tal propósito, o pensamento macua-Lommué é muito claro: OTHELANA ORIMWA MAKHOLO (o casamento fundamenta-se nos antepassados).

O homem e a mulher macua-Lomué anseiam pela descendência e fazem o possível para conseguir. O primeiro objectivo da união matrimonial é a transmissão da vida. O homem e a mulher ao casarem – se colocam-se, a serviço da vida e aos instrumentos comunitários através dos quais a comunidade recebe a vida como um dom e transmitem-na como uma homenagem a que já lhe deu.

3.4.2. Factores económicos 

Apesar de não existir, na sociedade macua, a instituição do dote matrimonial, o factor económico do casamento é importante. Neste caso, quem enriquece é a família da noiva, porque é esta que cresce com um novo membro. Com os serviços que o noivo prestará, com o seu trabalho, a família da mulher crescerá, não só em número como economicamente.

3.4.3. A Exogâmia 

Os macuas-lomué devem casar-se fora da linhagem, pelo que o casamento é exogâmico. É proibido casar dentro do próprio grupo familiar entre aqueles que tem o mesmo apelido. Por isso a tradição aconselha-se muito cuidado em saber, desde o início, a que linhagem pertence cada um dos futuros cônjuges para não incorrerem na proibição do casamento entre pessoas da mesma linhagem.

3.4.4. Residência Matrimonial

Dependendo das normas matrimoniais podem ser patrilocaMapa de Moçambique com o destaque a província da Zambézia, (distrito de Pebane)l ou matrilocal segundo tenha de residir junto do pai ou da mãe. Mas em virtude de os dois termos não especificarem se se trata do pai e da mãe do marido ou da mulher e deixam grande margem de incerteza. De acordo com FIRTH, os termos virilocal e uxorilocal, são as mais adequadas para designar a residência matrimonial.

Na sociedade Macua-Lomué O novo agregado familiar, que nasce com um casamento, constrói a própria casa perto da residência dos pais da noiva. Normalmente se situa na localidade dos grupos de famílias matrilineares da noiva. Por isso podemos falar do modelo de residência uxorilocal e, mais concretamente, matrilocal.

3.5. Concepção de família

Os grupos de parentesco mais vulgares são a família, a linhagem e tribo.
A família é um menor grupo do parentesco e da sociedade. De acordo com BERNARDI as formas de família são múltiplas e a organização social não é tão rígida. A natureza da família apresenta-se complexa em todas as suas formas quer pelos elementos que a compõem quer pela multiplicidade de funções que desempenha e das estruturas que apresenta.
3.5.1.Formas plurais de família
São múltiplas as formas de família, sendo as mais típicas:
Família nuclear ou conjuntas: 
É simples e elementar porque, na ordem do parentesco não há um grupo tão essencial tratando-se de um grupo mínimo e irredutível, e fundamenta-se na união entre homem e mulher casados.
Família doméstica: 
O fulcro desta unidade social é a cooperação, inclui os adstritos a serviços especiais.
Família Composta: 
É oposta a família nuclear e dá relevo à contenção da fixação genealógica.

Família poligínica: 

Articula-se sobre o pluralidade de mulheres corresponderem a exigências sociais e sobretudo económicas, o prestígio que o homem obtém com mais mulheres de autoridade e de poder na sociedade, mas constitui também exibição e forma de riqueza, na divisão do trabalho, cabe à mulher o trabalho dos campos e muitas mulheres produzem muita colheita.
Família poliândrica: Possui uma estrutura totalmente diversa, que se articula sobre a pluralidade do marido.

Os Ritos 

Ritos são experiências vividas para garantir a maturidade das crianças, os ritos podem ser quentes ou frios.
Quentes são aqueles que se repetem muitas vezes durante a vida e frios são aqueles que não se repetem ou seja acontece apenas uma vez.

4.1. O nascimento (oyariwa)

O nascimento de uma criança é um dos acontecimentos mais importantes da sociedade macua-lomué. Ela é desejada e esperada pelos pais, responsáveis, membros da família e por toda sociedade porque todos amam a vida e desejam que esta continua. Um filho significa para família e para a sociedade, a esperança concreta que a vida não acaba, é o sinal que os antepassados continuam a ser intermediários entre a fonte da vida e a sociedade. Por isso o nascimento de uma criança é motivo de festa.

4.2. A confissão ritual das faltas (OLAPHULE)

Se o parto difícil ocorre-se às praticas rituais de emergência. Em primeiro lugar, uma das anciãs assistente ao parto fala com o marido para que este ponha as coisa de casa( especialmente a roupa) ao ar livre e adopte, mesmo na maneira de vestir, uma atitude de tristeza. Se os problemas continuam, então deve consultar-se imediatamente o especialista de averiguação e realizar-se o rito de confissão das faltas (olaphulela). É um rito de auto-critica e de conciliação.

A parturiente deve confessar as instrutoras (anamuku). Neste rito a parturiente pode insultar o marido e descobrir as desavenças conjugais ocultas. Nascido a criança, a instrutora principal (Namuku) corta o cordão umbilical e acta o umbigo. Imediatamente as anciãs lhe dão o primeiro banho com água preparada nesse momento e nunca com anterior existente. O primeiro banho é ao mesmo tempo uma medida de higiene e um rito de purificação.

4.3. Anúncio

No nascimento de uma criança as mulheres gritam ELULU para manifestar a alegria pelo êxito do parto. O grito pode ter maior ou menor duração, conforme o sexo da criança: será mais prolongado se se tratar de uma menina, porque a menina no futuro ira aumentar a família e não abandonara a casa; pelo contrário o grito por um menor terá menor duração, porque este quando for adulto abandonará a sua casa para beneficiar o crescimento de uma família distinta da sua.

4.4. O rito de agregação 

Depois de 8 dias do parto e de cicatrizar a ferida do umbigo, realiza-se uma cerimónia designado por fogo apagado (OTXIPIHIA MORO). Neste processo dá-se banho ritual (ORAPIHIWA MWANA), cortam o cabelo (OKWATXA MAHI), e assim a criança tira-se para a sociedade em geral e é atribuído o nome (OVAHIWA NSINA).

4.5. Proibições rituais (MWIKHO)

Há uma série de proibições rituais que os pais do recém-nascido têm de observar, desde a data de nascimento até ao dia dos ritos do fogo apagado. Este período de tempo vai normalmente de um ano e meio a dois.

As proibições mais importantes são:
  • Os pais do recém-nascido não podem fazer sexo durante todo o período de amamentação;
  • O pai não pode entrar dentro da casa para ver a criança antes de se realizar a cerimónia de fogo apagado;
  • A mãe deve abster-se durante todo o período de amamentação da criança;
  • A mãe não deve acender fogo, cozinhar para o marido e preparar-lhe água para o banho antes do fogo apagado;
  • Durante este período de tempo, todas anciãs devem abster-se de relação sexual;
  • As pessoas solteiras não podem pegar na criança até ao referido dia cicatrização do umbigo.


4.6. O desmame

Depois de a criança começar a caminhar, realizam-se ritos de desmame. Este rito consiste, fundamentalmente num banho da criança, a qual assistem todos os membros da família chefe da aldeia (MWENE), o chefe da linhagem e as restantes famílias. É um rito de purificação de integração definitiva da vida. Depois do banho e ungido todo corpo da criança com óleo.
Durante este rito, o chefe da aldeia faz uma exortação aos pais da criança sobre o bom comportamento. A mãe oferece uma galinha como agradecimento. A partir deste momento, os pais da criança podem começar as relações conjugais íntimas e todas as actividades familiares e sócias.

4.7. Iniciação masculina

Com o nascimento e os ritos correspondente a criança não fica completamente integrado na sociedade. O seu verdadeiro nascimento social ocorrerá com a participação nos ritos de iniciação em macua (WINELIWA).
A sociedade macua-lomué ritualiza a passagem da adolescência para o estado adulto em ambos sexos havendo ritos próprios para os rapazes (OCILEIWA), para raparigas (EMWALI).
Pela iniciação, o indivíduo passa da infância a idade adulta, participando nos ritos de iniciação, o jovem adquiri a maioridade e toma consciência da própria identidade e do lugar que lhe compete na comunidade, pode tomar parte do pleno direito em todas actividades da sociedade (casar-se, participar nos sacrifícios tradicionais, sentar no meio dos adultos, falar publicamente nas reuniões dos adultos).
Os ritos de iniciação são, em primeiro lugar, ritos de separação, o jovem abandona a sua infância anterior, em segundo lugar são ritos liminares pelos quais o indivíduo vive uma particular transformação da sua personalidade em clima de separação física e social; e, em terceiro lugar o rito de incorporação na situação normal da sociedade.

4.7.1. Ritos preliminares (sua preparação)

A criança, entre os 8 e 12 anos os responsáveis das respectivas famílias, reúnem-se e discutem, e apresentam a questão ao chefe da aldeia, para que comunique ao chefe máximo (MWENE), por sua vez o mwene anuncia oficialmente a celebração dos ritos de iniciação, os rapazes (OCILEIWA). O MWENE antes de anunciar reúne com os seus conselheiros chefes da linhagem, os anciãos e outras pessoas importantes (MAKOLO). Normalmente o rito de iniciação dos rapazes nas sociedades macua- lomué faz-se em cada dois ou três ano conforme o número de rapazes que existe no povoado. O tempo mais é no inverno calhando nos meses de Julho, Agosto e Setembro, tempo de frio e seco.
4.7.2. Inauguração da iniciação (corte de cabelo)
Na manha do dia indicado para o inicio dos ritos, na casa de cada um dos iniciados realiza-se o rito preliminar do cabelo (OTXEMIWA). Faz se sacrifício tradicional pelos representantes da família (ATATA) e o chefe da linhagem.
Refeições comunitárias
É uma constituição da festa, prepara-se papa de farinha de milho (EXIMA) sem açúcar e sem sal, mais outra refeição com carne de galinha, de cabrito, de Javali ou antílope.

4.7.3. O fogo novo

Neste processo, acaba a festa os iniciados e os seus familiares reúnem-se em casa do chefe do chefado (MWENE) e passam a noite a volta da fogueira celebrando o começo da iniciação, cantam e dançam.
Marcha para o acampamento no dia seguinte os iniciados (ALUKHU) acompanhados pelo chefe da família (ATATA) e outros familiares próximos, pelo MWENE, instrutores (ANAMUKU), o direito a iniciação, os padrinhos (AMOLE), deixam a aldeia e encaminham-se para o acampamento chamado (ONVERANI), um lugar escolhido e escondido na mata.
Cada família reúne-se três dias para passar os dias de festa de iniciação.
Ao terceiro dia os iniciados tomam a refeição ritual no acampamento chamado EPILIKO. Os remédios para iniciação e os instrumentos necessários para os ritos de iniciação ficam nos centros das instalações do acampamento, num monte de areia, esses medicamentos tem nome simbólico de cauda (MWILA).

4.7.4. A circuncisão

No dia seguinte, a refefeição ritual do EPLIKO, o MWENE, com uma vara nas mãos (MUKOSI) bate no recepiente contendo remédios, que se encontra no centro de acampamento, cada LUKHO acompanhado pelo seu sobrinho aproxima-se do local. Ao chegar ao local, indicado pelo chefe, o padrinho coloca-se com o afilhado junto do director da iniciação e os restantes ajuntantes, com o movimento rápido, coloca-se ao chão o rapaz. Nesta posição, o circunsizante corta uma parte do percúcio. As gotas de sangue são recolhidas imediadamente e posto num lugar apropriado para posteriorimente prepara-se uma comida ritual.
O recém-circunsizante, senta-se no chão com as pernas abertas e as mãos faz o pó para ajudar a cicatrizar a siua ferida. Passado algumas horas o padrinho coloca no pénis do seu afilhado uma rodilha ou uma argola de folhas e amara-lhe com uma corda atráz como forma de fixar. Esta argola tem o nome de EKHARA. Seguem os cânticos de intruções denominadas de NTHURKWE, já conhecidos por parte dos circunsizantes.
Terminado rito, dirigem-se ao local chamado NAMUHAKA, para recebem os ritos (conselhos de boa conduta), tais ritos são:
Iniciação nas tradições do povo, ritos de origem e histórias do povo, lendas, personagens importantes.
Iniciação a vida: é a iniciação do comportamento social.

4.7.5. As proibições rituais (MWIKHO)

Os jovens que não participam nos ritos de iniciação devem observar as seguintes proibições durante tempo de iniciação:
  • Não pode tomar banho nem lavar-se, com excepção banhos rituais;
  • Não usar roupa que usam normalmente, de facto vestem-se de farrapos e andam quase nus;
  • Tem de se abster de alimentos preparados por mulheres;
  • Não podem comer alimentos, que pela sua cor, tamanho ou forma possa assumir um valor simbólico;
  • Não podem se afastar do acampamento.

4.7.6. Proibições aos pais.
  • Não podem tomar banho durante o período de iniciação;
  • Não podem se vestir com elegância nem roupa nova;
  • Não podem pentear;
  • Devem comer comida sem sal;
  • Não podem manter relações sexuais durante esse período.

4.7.7. Imposição de nome (OVAHYWA NSSINA) Mapa de Moçambique com o destaque a província da Zambézia, (distrito de Pebane)

O nome indica ao mesmo tempo um estado ´´ dimensão essencial ´´e uma missão (dimensão funcional), e pode relacionar com a anterior vida do jovem, com algum acontecimento familiar ou com algum pressentimento.
A imposição do nome confere por ordem de prioridade ao chefe de família ou pais do jovem, e outras pessoas particularmente relacionada com a família. Entre a pessoa que dá o nome a que recebe restabelece-se uma relação de facto e respeito e observa-se uma determinada etiqueta. Os nomes da comunidade Macua-Lomwe, tem um determinado valor cultural que podemos s esquecer. O nome identifica a pessoa que liga-se ao mundo dos antepassados e indica também uma missão na vida.

4.7.8. Intrusão

As instruções que os rapazes recebem durante o período que passa no acampamento NVERA, são os seguintes:
Aprender a caçar;
Aprender certos trabalhos que lhes serviram no futuro;
Aprender a enterrar os mortos.

4.7.9. Proibições rituais

As proibições gerais (MWIKHO), nesta fase dos ritos de iniciação são as seguintes proibições:
Silêncio: os rapazes não podem falar com os chefes do acampamento.
Abstinência alimentar: Proibição de consumo de mel, ovo e comidas com sal ou pimenta. Também não podem comer peixe de cor escura e nem carne de galinha.

4.7.10. Ritos finais

Acabada a iniciação, há destruição do acampamento (NVERA).
O director da iniciação ordena a realização dos últimos ritos e encerramento da iniciação.

4.8. Iniciação feminina

Paralelamente aos ritos de iniciação masculina, existem na sociedade Macua-Lomué, ritos próprio para a iniciação feminina chamada EMWALI. Estes ritos diferenciam-se dos ritos de iniciação dos rapazes pelo facto do conteúdo das instruções, pelas pessoas que nela participam, pela data de celebração, pela sua duração, pelo seu lugar e pela menor solenidade das cerimónias.
Até a realização dos ritos, rapariga macua-lomwe fica ligada estreitamente a mãe, num ambiente de total confiança e liberdade, sem discriminação sexual e à margem de vida social

A primeira educação, básica e genérica ao mesmo tempo sugere-se na ordem do tempo e da importância, a iniciação propriamente dita na vida sócia, ou seja a verdadeira passagem de menina para jovem (EMWALI), trata-se da descoberta e assimilação da rapariga e faz a sua própria personalidade e do plano acesso à vida social.

4.8.1. Ritos preliminares

A iniciação da rapariga inicia desde pequena ate progrida para participar nos ritos propriamente ditos da iniciação não é necessariamente obrigatório que ainda não tiveram a primeira a primeira menstruação. Por vezes juntam-se raparigas que ainda não tiveram a primeira menstruação com outras já menstruadas, neste caso, durante a instrução (IKANO), são divididas em dois grupos.
Os ensinamentos consistem fundamentalmente, no seguinte:
Explicar sobre o facto fisiológico da menstruação e sobre cuidados higiénicos que a jovem devem ter de então para diante.
Como se pode comportar perante a sociedade (durante a menstruação não pode falar com os homens, deve respeitar os adultos e, de modo particular as instrutoras, comporta-se com o público.
A forma de vestir durante esse tempo, a rapariga não pode usar roupa de todos os dias, muitos menos a roupa do dia de festa, também não se pode embelezar;
A alimentação – deve abster-se de certos alimentos, como o caso de ovo (NOTXE), e peixe (MUKOPO). Deve comer papas de milho (EXIMA) mal cozidas com folhas de mandioca e feijão.
Trabalhos caseiros: preparação de comida, limpeza de casa, evitar fazer refeições para os homens, na altura de menstruação.
Proibições de relações sexuais tratando-se duma rapariga já casada, ficam proibidas as relações sexuais durante o tempo da iniciação.

4.8.2. Período de entrada

O ritual usado é normalmente, o que se usa para entrada para os rapazes na iniciaçaão.

4.8.3. Instrução (OLAKA)

A instrução, que começa com a primeira fase de iniciação é que continuará ápos a conclusão dos ritos, principalmente a no período de gravidez e na celebração de casamento, agora, nesta segunda fase é mais intensiva, adquire uma totalidade mais formal e abrangente a educação em todos os aspectos da vida. Esta educação, para além de preparar as jovens para assumirem a sua responsabilidade na sociedade, promove nelas legalidades às instruções comunitárias. As mestres, no seu discurso educativo usam linguagem simbólica, acompanhada de gestos, enigmas, cânticos formas literárias que ajudam as jovens a fixar os ensinamentos recebidos.
As instruções para além de iniciarem os jovens para a vida sexual, educam-nas e preparam-nas para a vida familiar e social.

As raparigas aprendem a cumprimentar os adultos, os superiores e todas as outras pessoas. Sempre que tenha que entregar alguma coisa ao marido, aos pais e as outras pessoas mais importantes devem fazê-los de joelhos e com as duas mãos. É lhes ensinado que não podem casar com pessoas da mesma linhagem, sendo obrigadas a conhecerem o apelido (NIHIMO) do jovem com quem se querer casar. Aprendem como se deve comportar na vida conjugal, neste campo, devem ter cuidado em abster-se de relações sexuais durante a menstruação porque é proibido por tradição.
Para evitar o marido de que estão menstruadas, deixam na cama uma porcelana de sementes vermelhas, quando acabam a menstruação, deixa na cama uma porcelana de sementes brancas. Desta forma, o marido sabe como se deve portar para não transgredir as leis tradicionais.

4.9. Morte

Chegando o momento da morte, quando o moribundo (MULIPA OLUWELA) espira, o familiar que anteriormente lhe humedecia a boca diz aos parentes “ deixou o coração” (OHIA MURIMA). Observa-se então uma figura de estilo que equivale dizer “morreu”. Então fecham-lhe os olhos e a boca, colocam-no deitado na esteira, coberto com um pano. Imediatamente as mulheres presentes gritam e choram de dor. Os homens não devem gritar nem chorar, podem somente soluçar.
Passados alguns momentos leva-se o cadáver para o banho duplo, com valor higiénico e purificador. Normalmente isto é feito com água quente preparada no momento. As mulheres encarregadas de o fazer são as familiares mais próximas do defunto e as amigas da família.

4.9.1. Preparação do inteiro

O tio materno mais velho do falecido ou, na falta deste, o que segue por ordem de importância na família assume a responsabilidade de organizar a cerimonia para a realização dos ritos fúnebres, distribuindo os encargos entre os familiares e pessoas mais chegadas: uns encarregam-se de tratar do cadáver com varias abluções e unções e de o envolver num pano grande e numa esteira; outros preparam a cova, no lugar indicado pela família; outro grupo prepara a cova, no lugar indicado pela família; outro grupo prepara a comida para todos os que participara no funeral e a água para as abluções.

4.9.2. O lugar da sepultura

A sepultura do cadáver faz-se, normalmente, num lugar escolhido pelo tio materno mais velho do defunto fora da aldeia, afastado dos caminhos, entre as árvores do bosque.
Quando se trata de chefe da aldeia ou do régulo, costuma escolher-se um lugar especial, perto da sua casa. A cova (MAHIYE) tem um ou dois metros de profundidade, conforme a idade do falecido (mais ou menos, conforme o defunto é mais velho ou mais novo), tem no fundo ou ao lado esquerdo, conforme os gostos, um nicho ou cova secundaria, que é o lugar exacto onde é deposto o cadáver.